Homilia XVI Domingo do Tempo Comum



Caríssimos filhos e filhas!

Saudações em Cristo Jesus!



(1) Na primeira leitura, encontramos a solicitude de Deus por seu povo. Deus é fiel. O profeta Jeremias é chamado por Deus para denunciar todos os modos de corrupção, idolatria e infidelidade dos “pastores”, e consequentemente, do povo. 

(2) Quem são os pastores? Todos que detinham poder sobre o povo (lideranças políticas e religiosas). 

(3) Na sua maioria eram maus pastores, que estavam preocupados com seus interesses pessoais, conveniências, ideologias e jogos de poder. Lambuzados e lameados na corrupção, não cuidavam do rebanho. Triste constatarmos que ainda hoje temos pastores (líderes espirituais) agindo desse modo.

(4) Depois do exílio da Babilônia (576 - 583 a.c) Iahweh promete restabelecer a unidade e o resgate do seu povo.

(5) “Contudo, não devemos esquecer de modo algum que os pastores do povo de Deus, que é a Igreja, são os ministros de Cristo: bispos, padres e diáconos. A eles também o Senhor repreende neste hoje e a eles exorta para que se convertam e sejam pastores de verdade. Mas, quem é pastor de verdade na Igreja? Quem se deixa plasmar pelo verdadeiro Pastor, pelo único Pastor, aquele que é a própria justiça, a própria santidade de Deus: “Este é o nome com que o chamarão: ‘Senhor, nossa Justiça’”. Falamos de Jesus Cristo.” (Dom Henrique Soares da Costa)

(6) O Senhor nos repreende severamente. Ao preparar esta homilia, meu coração ardia de tristeza. Senhor perdoa-me porque vergonhosamente posso constatar que não fui tantas vezes o pastor segundo o vosso coração. 

(7) Se os pastores não são fiéis, Deus promete outros que virão para cuidar do seu rebanho. Não podemos esquecer que o rebanho é de Deus. A Igreja é de Deus. Sou somente pastor. Devo cuidar bem das ovelhas que me foram confiadas. 

(8) No evangelho, impressiona a preocupação de Jesus com seus apóstolos, discípulos e seguidores. As vezes é preciso parar para descansar com o Mestre. Não é um convite para um piquenique ou momento de lazer, mas para estar de modo mais íntimo com o Mestre. Ensinou São Josemaria Escrivá: “… a tua vida de apóstolo vale o que valer a tua oração” (Caminho, 108).

(9) O evangelista Marcos sublinha a multidão, mas de modo belo, apresenta-nos Cristo, que sente compaixão, porque eram “ovelhas sem pastor”. Deus nunca deixará ou abandonará seu rebanho.

(10) Não precisamos de eco-pastores, padres e bispos ativistas de esquerda ou direita, não precisamos de pastores mercenários, mas de consagrados, preocupados com a santidade do seu rebanho. 

(11) A divisão do rebanho é um escândalo. Em Cristo nos tornamos um só povo e um só rebanho. “Agora, em Jesus Cristo, vós, que outrora estáveis longe, vos tornastes próximos, pelo sangue de Cristo. Ele, de fato, é a nossa paz: do que era dividido, ele fez uma unidade. Em sua carne ele destruiu o muro de separação: a inimizade.” ( Ef 2,13-14) 

(12) Cristo é o supremo pastor, que não poupou sua própria vida por amor ao rebanho.  Ele atraiu, para seu divino coração, todos. 

(13) Hoje convida-nos, pastores, a seguir seu exemplo. Sermos bons pastores, segundo seu amadíssimo coração. Jesus tão doce, sereno e ao mesmo tempo verdadeiro e autêntico. As ovelhas, o Senhor convida a confiarem em sua graça, amor e providência. Ora, “O Senhor é o pastor que me conduz;/ felicidade e todo bem hão de seguir-me!”

(14) “Preparais à minha frente uma mesa,/ bem à vista do inimigo,/ e com óleo vós ungis minha cabeça;/ o meu cálice transborda.” Ele preparou-nos o banquete Eucarístico como antecipação do banquete celeste. Não se enganem: somente Jesus pode nos conceder a felicidade verdadeira. 

(15) “Ó Senhor Jesus, que tu mesmo, de corpo e alma, de sonho e de dor, és o nosso repouso, és nossa segurança! Tu mesmo és a nossa paz! E quão alto foi o preço dessa paz! E tudo isso para que, no teu Santo Espírito, tivéssemos acesso Àquele a quem tu chamas de Pai, fonte de toda vida!” (Dom Henrique Soares da Costa)

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