Seminarista é aquele o qual Deus planta suas sementes
Carta aos seminaristas
ex corde ad cor
Do Latim _seminarium_, derivado de semen, seminis, isto é, “semente”.
O seminário eclesiástico é o espaço, mas também, tempo-kairós, de oportunidade, da graça divina, se bem vivido. Espaço-ambiente de formação para o sacerdócio ministerial.
Neste processo, as sementes da graça divina são plantadas no coração do seminarista, então é aquele no qual se plantam as sementes.
Interessante pensarmos desse modo: Deus, no seu imenso amor, planta no coração do jovens as sementes da vocação, quais sejam elas:
1. Amor: É preciso amar. Não é qualquer amor, mas ágape, ou seja, entrega. Oblação total em vista do amor de Cristo.
2. Fidelidade: Já como seminarista, deve ter a decência e a coragem de ser fiel. O seminarista infiel, tornar-se-á um padre infiel.
3. Renúncia: “Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade”. (Tito 2,12) Deverá tomar consciência - amar é fazer sacrifícios - em vista de uma vida eterna, repleto do esplendor da verdade de Deus.
4. Oração: “Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração.” (Rm 12,12) Deverão ser diletos, pressurosos e fiéis à oração diária e constante. Somente no coração pode buscar intimidade com Jesus. Sem oração tornarão-se meros burocratas e _showmen_. Sem mística, serão fazedores de pastoral, mas não homens do altar. O centro é sempre a Eucaristia.
5. Castidade: Homens puros e castos. “Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade.” (1Ts 4,7) Uma vida santa, pura e imaculada. Seus corações não devem ter a força das paixões como centro da vida. Cuidar com desvelo dos impulsos sexuais, impondo-lhes dominação da graça divina e sincera mortificação. Sejam exemplo para outros jovens, não motivo de escândalos. Comecem a frear os instintos desde o processo seminarístico.
6. Fugir das ocasiões de tentação. Evitar pessoas e circunstâncias incitadoras de pecado. Não confiem em si mesmos. O demônio é astuto. “Sede sóbrios e vigilantes. O vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé.” (1Pd 5,8-9a)
7. Ser homem de Deus, ou seja, Deus não é um conjunto de teorias, mas a verdade revelada em seu Filho Jesus Cristo. Devem configurar-se a Jesus pelo sacramento da confissão constante.
8. Homens de estudos. Aprofundem-se nas ciências, seja dedicados e esmerados no conhecimento da fé. Façam do estudo, oração. Um teólogo que não reza, somente um estudioso; um teólogo que reza, um homem de Deus. Creiam com a Igreja na sua dimensão racional e intelectual. Sem rigorismo ou laxismo, porém fidelidade a Cristo e à sua Igreja.
9. Obediência é um caminho de santidade. Sejam obedientes, cresçam no caminho da prudência, de saber ouvir e ser dóceis à vontade de Deus.
10. Por fim, não menos importante, a devoção à Virgem Maria, no cultivo diário de estar sob sua égide e confiança, sempre sob sua poderosa intercessão. Maria é modelo primaz para todos os seminaristas.
Desejo para este tempo de formação amadurecimento na fé, clareza do amor e intensificação na vida de santidade.
Pe. Jerônimo Pereira Bezerra
In Christo Per Mariam

Interessante que quando meditamos em qualquer vocação que seja, nos fortificamos na nossa.
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