SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS
A TERNURA DE MARIA
Deixe-me, nesta solenidade, falar de ternura. Todos já sabem sobre a
maternidade divina. Todos os anos repetem-se e reexplicam-se as questões ou
fundamentações teológicas sobre o dogma da maternidade divina. Hoje, desejo
falar de flores, de amor e de ternura.
Já pararam pra pensar que todas as vezes que a Virgem Maria beijava o
rosto de Jesus, ela beijava a face do próprio Deus!
Quis o Senhor, na sua infinita bondade, que a Santíssima Virgem, pelo
dom da maternidade, tocasse e unisse sua existência com a vida divina.
Ele tocou o rosto de Jesus, e deseja tocar a nossa vida. Seus filhos e
devotos com amor de mãe. (...) “eu que ensinei o meu povo a andar; eu o segurei
nos meus braços” (Os 11,3) É Maria quem dirige nossos passos e coloca-nos em
seus braços.
“O olhar de Maria lembra que, para a fé, é essencial a ternura, que
impede a apatia. Ternura: a Igreja da ternura. Ternura, palavra que hoje muitos
querem cancelar do dicionário. Quando há lugar na fé para a Mãe de Deus, nunca
se perde o centro: o Senhor. Com efeito, Maria nunca aponta para Si mesma, mas
para Jesus e os irmãos, porque Maria é mãe.” (Papa Francisco)
Em mundo agitado e complexo, a Virgem Maria convida-nos a sermos o rosto
da ternura divina para os outros.
Nas várias situações da vida de Jesus e da Igreja a Virgem Maria
envolve-os no seu manto de amor. Nas vicissitudes da vida ela, como Mãe, se
preocupa e envolve-nos no seu poderoso manto.
A mulher da ternura é também a mulher da esperança. Nesses tempos
difíceis, podemos contemplar seu rosto e também sermos transfigurados pelo
penhor do amor materno. “Tomai-nos pela mão, Maria. Agarrados a Vós,
superaremos as curvas mais fechadas da história. Levai-nos pela mão a descobrir
os laços que nos unem. Reuni-nos, todos juntos, sob o vosso manto, na ternura
do amor verdadeiro, onde se reconstitui a família humana: «À vossa proteção,
recorremos, Santa Mãe de Deus». Digamo-lo, todos juntos, a Nossa Senhora: «À
vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus.” (Papa Francisco)
No Natal, Deus mostrou de uma ternura inexplicável para com os homens,
rebaixando-se à nossa mísera condição. Ele (Deus) se fez conosco, exatamente,
um Deus próximo do homem. Ser terno é a composição de amor e proximidade. Maria
caminhou sempre conosco. Nos momentos mais difíceis sempre está próxima
daqueles que sofrem.
Cada um de nós é chamado a desenvolver esta ternura com os outros, isto
é, a proximidade carinhosa e afetuosa, através de um abraço ou até um sorriso,
principalmente a nossa presença cheia de fé na oração.
“Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então
guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque
é dele que saem as boas ou as más intenções, aquelas que edificam e as que
destroem… Cuidar, guardar, requer bondade, requer ser praticado com ternura…
Não devemos ter medo da bondade, da ternura!” (Cf. Homilia do dia 19 de Março
de 2013, Solenidade de São José).
Maria é a mãe da ternura porque é a _Teotokos_, ou seja, portadora de
Deus. Também cada um nós somos chamados a ser portadores de Deus, e a correr
apressadamente para levar a mensagem de amor e carinho a tantos outros
necessitados de sentir por meios de nossas ações a ternura divina.
Fiquei ainda tentado a provocá-los neste final de ano civil: Vós também
beijastes o rosto de Jesus? Como Maria, a mãe e discípula fiel ou Judas, o
traidor?
Confiemos na misericórdia de Deus que não cessa de nos amar com sua
graça e bondade. Maria, mãe da ternura, ensina-nos a exalar o perfume do amor,
da docilidade e do carinho. Tire do nosso peito esse coração às vezes duro e
amargo, faz do nosso coração, semelhante ao Teu Divino Filho.
Maria descobre no encontro com o Anjo que o sentido do seu existir é
servir, amar e confiar em Deus.
“Por fim, Maria descobre neste encontro com o anjo que a sua vida está
ao serviço de uma vida maior, de um projeto maior. Isto é, que a vida não
começa e acaba nela, não começa e acaba nos sonhos que ela teve para a sua
vida, nos desejos que ela teve, com certeza, no coração de moça sonhadora que
ela era. A vida não acaba no perímetro dos desejos e dos sonhos que ela fez de
felicidade para a sua vida. Mas o Senhor chama-a a colocar-se ao serviço de uma
felicidade maior, imprevista, com a qual ela não tinha nunca sonhado, nem
poderia sonhar. Mas o Senhor diz: “Olha, a tua vida é para servir uma vida
maior, para servir uma coisa maior.” E Maria diz: ”Eu sou a serva do Senhor,
faça-se em mim segundo a Tua palavra.” (Cardeal Tolentino)
Penso em vós, ó Maria como a Mãe da ternura, pois diante do projeto de
Deus, inexplicável, tantas dificuldades e incertezas, mas confiastes no Senhor,
ensina-me diante da tristeza, da dor, da doença e do medo a lançar-me nos teus
braços ternos de mãe.
Pe. Jerônimo Pereira Bezerra
In Christo per Mariam

Comentários
Postar um comentário