Tu és um fariseu?


“A prática da correção fraterna - que tem raiz evangélica - é uma prova de carinho sobrenatural e de confiança. Agradece-a quando a receberes, e não deixes de praticá-la com aqueles com quem convives.” (São José Maria Escrivá, Forja, 566)

Expor as fraquezas dos outros, fala mais sobre si em detrimento dos outros. E se a covardia de falar porque o teu irmão não pode se defender, então, Deus o defenderá com justiça. A correção fraterna está contida na Sagrada Escritura, seguimos o exemplo de Jesus: “Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas.Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano”. (Mt 18, 15-17) 

É esdrúxulo, pérfido, perverso e possui, às vezes, doses de psicopatia. Quando exponho as fraquezas dos outros ou ridicularizo-os publicamente, expondo, na verdade, a minha própria demência ou fragilidade em não compreender a profundidade do evangelho. Os discípulos de Cristo fazem um caminho de amor, capaz de morrer para sua vaidade, para deixar Cristo aparecer. A sutileza, docilidade, carinho e respeito, mesmo quando o irmão está errado, são princípios básicos para um cristão. Fico extremamente fragilizado quando escuto ou vejo um irmão ser ridicularizado ou exposto de alguma forma. Deveríamos proteger e cuidar uns dos outros, o pior não é quem expõe, pois este, como tratei anteriormente, expressa sua vulnerabilidade em viver verdadeiramente o amor fraterno, mas os que se omitem e silenciam por leniência ou covardia. 

“Infelizmente, por outro lado, a primeira coisa que geralmente se cria em torno de quem erra é a fofoca, em que todos ficam sabendo do erro, com todos os detalhes, exceto a pessoa em questão! Isso não é correto, irmãos e irmãs, isso não agrada a Deus. Não me canso de repetir que a fofoca é uma praga na vida das pessoas e das comunidades porque leva à divisão, leva ao sofrimento, leva ao escândalo, e nunca ajuda a melhorar, nunca ajuda a crescer.” (Papa Francisco) 

“Aos Domingos, ou noutros dias quando necessário, reuni-vos para tratar da observância da vida comum e do bem espiritual das pessoas. Nesta ocasião,corrijam-se com caridade as faltas e as culpas que sejam encontradas em algum dos irmãos. “[…] A caridade há de ser a norma suprema da vida comunitária, porque a comunhão fraterna tem como fundamento e vínculo o amor de Cristo.” […] (Constituições da Ordem Carmelita) Quando for corrigir alguém, faça-o de modo discreto, sutil e caridoso. Não exponha as fraquezas dos irmãos, pois também tu és repleto de vulnerabilidades. “Assim como há um zelo mau, de amargura, que separa de Deus e conduz ao inferno, assim também há o zelo bom, que separa dos vícios e conduz a Deus e à vida eterna. Exerçam, portanto, os monges, este zelo com amor ferventíssimo, isto é, antecipem-se uns aos outros em honra. Tolerem pacientissimamente suas fraquezas, quer do corpo quer do caráter; rivalizem em prestar mútua obediência; ninguém procure aquilo que julga útil para si mas, principalmente, o que o é para o outro; ponham em ação castamente a caridade fraterna; temam a Deus com amor; amem seu Abade com sincera e humilde caridade; nada, absolutamente, anteponham a Cristo, que nos conduz juntos para a vida eterna.” (Regra de São Bento, Cap. 72)

Portanto, diante dos erros dos outros sempre use como critério de correção a caridade, quando não possível corrigir, silencie na oração e no amor. Seja cuidadoso e sábio para não expor as fraquezas dos outros, pois não seja hipócrita, tu és repletos de falhas e necessitas da misericórdia divina.

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