A audácia do Velho casarão do alto da Jacutinga
Há 120 anos, foi erguido vistosamente e imponentemente o atual Seminário Arquidiocesano de Maceió, sob a égide de Nossa Senhora Assunção. Durante cinco anos, morei neste “solo de heróis”. A riqueza do casarão da Jacutinga sempre foi sua capacidade de emoldurar-se no tempo e na história como um espaço de encontro. Sua estrutura arquitetônica, apesar das várias e necessárias intervenções e mudanças, recorda-nos o abraço de Deus. Independentemente das estruturas humanas formativas, o Seminário permanece de pé como um verdadeiro estandarte prestimoso de amor, fé, aprendizagem e encontro com Cristo.
Sempre fui apaixonado por esta casa, pois nela aprendi muito do padre e homem que me foi forjado a tornar-me. Obviamente, a fé em Cristo e na Igreja foi plantada por meus familiares no meu coração; entretanto, a base formativa e intelectual foi germinada pelos mestres do Seminário de Maceió. Ao celebrarmos 120 anos de história, contemplamos a beleza, não só arquitetônica, mas também a beleza de uma casa que formou e forma homens para serem presença de Cristo no mundo. Levitas no velho casarão são formados para serem discípulos e missionários de Jesus Cristo.
O então primeiro bispo das Alagoas, Dom Manuel de Castilho Brandão, com quem tenho parentesco paterno, adquiriu o extenso terreno com seus próprios recursos. Visionário e promitente cumpridor, fez do Alto da Jacutinga um verdadeiro “solo de heróis”. És tu, Maria, a Mater Stella, sempre a guiar vossos filhos e devotos. “Gerações já se passaram nesta casa e fostes vós a estrela a iluminar. Por isso, hoje, os vossos filhos vos veneram como outrora nos honraram neste altar.”
“A ideia de fundo é que os seminários possam formar discípulos missionários "enamorados" do Mestre, pastores "com o cheiro das ovelhas" que vivam no meio delas para servi-las e conduzi-las à misericórdia de Deus. Por isso, é necessário que cada sacerdote se sinta sempre um "discípulo a caminho", carente constantemente de uma formação integral, compreendida como contínua configuração a Cristo.” (CONGREGAÇÃO PARA O CLERO, O Dom da Vocação Presbiteral. Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis, 2016).
O seminário não deve ser somente um espaço físico, mas, antes de tudo, um “lugar teológico” de conversão pessoal e comunitária, capaz de construir no coração de cada um, sejam formadores, seminaristas, sacerdotes ou bispos, uma necessidade de fraternidade. Como o tema da CF - 2024 propõe, “uma amizade social”, alargando as vertentes de intercâmbio e a preocupação com nossas relações, pois “somos todos irmãos”. É necessário ultrapassar nossas diferenças, criando pontes e estabelecendo mecanismos de encontro a partir de Cristo. “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel; o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade de sua fé.” (Eclo 6,14-15).
Que o Seminário de Maceió seja, agora também, um espaço físico de construção de saber, autenticamente firmado na Sagrada Escritura, no Magistério eclesial e na Tradição Apostólica, capaz de aceitar e respeitar quem pensa diferente. Nunca deve ser uma estrutura prosaica e otosclerótica fenestral, impedindo-nos de ouvir o Mestre que sempre nos conduz ao seu amor.


Um lugar que gera sacerdotes.
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