O ódio ao Papa Francisco e a quem pensa diferente.




Talvez, de repente, o título chame a atenção. Mas, a verdade por trás do ódio, intriga, fofoca, falta de comunhão, críticas recheadas com sarcasmos, ironias e deboches contra o papa, bispos e sacerdotes por suas posições, falas ou pontos de vista são pérfidos e não contribuem com à evangelização, antes prevaricam o bem universal da igreja: comunhão. Corrigir de modo agressivo quando necessário é o meio mais eficaz para fazer? Cada grupo ideológico entra em sua bolha e subverte de modo contumaz a unidade da Igreja. O modo como o centro Dom Bosco muitas vezes corrigi e orienta os fiéis, é sempre o melhor modo? Assisto, acompanho e concordo com muitas das exortações, palavras e posições fiéis à doutrina bimilenar da Igreja. Acredito em uma Igreja pneumatológica, ou seja, o Espírito Santo sempre conduziu a Igreja de Cristo. Os erros humanos não são maiores que a graça de Deus agindo em cada de nós. O ministério petrino do papa Francisco é inquietante, tira-nos da bolha e da zona de conforto. Faz-nos pensar sobre nossa vida de fé. Instiga-nos a refletir sobre o poder, serviço e carisma na Igreja. Como transformar poder em carisma? Poder em serviço? Talvez seja o grande dilema que provoca ódio, birra pueril de alguns grupos ideológicos e confusão hermenêutica (de interpretação) de outros grupelhos vinculados ao movimento que desejam uma igreja arreganhada, sem valor ou moral estabelecida e condensada. Por que odiar o Papa Francisco? Pode os leigos com caridade corrigir os pastores? 
Resposta: Sim! 
Assim afirma o código de direito canônico: Cân. 212 -
§ 2. Os fiéis têm a faculdade de expor aos Pastores da Igreja as suas necessidades, sobretudo espirituais, e os seus anseios.
§ 3. Os fiéis, segundo a ciência, a competência e a proeminência de que desfrutam, têm o direito e mesmo por vezes o dever, de manifestar aos sagrados Pastores a sua opinião acerca das coisas atinentes ao bem da Igreja, e de a exporem aos restantes fiéis, salva a integridade da fé e dos costumes, a reverência devida aos Pastores, e tendo em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas.
No seu famoso livro, Leonardo Boff faz uma provocação: “Poderá a Igreja se converter para um testemunho mais exigente e mais eloquente do Evangelho no meio de nosso mundo? Ela pode, porque o está mostrando. Entretanto, à condição de ela renunciar a certo tipo de poder e na medida da renúncia deste poder. Por sua própria vocação, a Igreja está dimensionada para o Reino Futuro e por consciência proclama seu caráter provisório. Sua autêntica identidade não está fixada num passado que ela pretende em vão, repristinar, mas no futuro de Deus que ainda deverá se revelar. Se a mutação e o desenvolvimento humano do mundo preparam e antecipam o Reino, como ensina o Concílio (GS 34, 1; 39), quanto mais não deve a mutação permanente da Igreja também preparar e antecipar o novo céu e a nova terra". A "tranquilidade da ordem", a fixação em modelos fixos, a repristinação obstinada de articulações do passado, em vez de serem mais propícias à fé, comprometem a verdadeira dimensão de abertura para o futuro e de esperança escatológica própria à fé cristã e nos fazem olvidar nossa condição de peregrinos e viandantes rumo ao descanso dinâmico de Deus. Na medida da conversão da Igreja para uma sempre adequada encarnação do Evangelho é que ela pode ser sinal de libertação e se torna capaz de entrar num processo libertador junto com todos os homens.” (BOFF, Leonardo. Igreja: Carisma e Poder. Rio de Janeiro: São Paulo: Ed. Ática, 1994, p.116)
Para Boff a verdadeira Igreja deverá destituir-se do poder institucional e hierárquico para se tornar sempre mais carismática e serviçal. Uma igreja que se adéque às condições do mundo, aberta, arreganhada, frouxa e sincrética. Estamos diante de um dilema hermenêutico e teológico: há de fato teologicamente uma divisão entre a Igreja de Jesus, a Igreja católica, apostólica e romana e a igreja pensada por Leonardo Boff? 
Há verdadeiramente várias igrejas deixadas por Cristo?
 “Existe, portanto, uma única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele.58 As Igrejas que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se mantêm unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão apostólica e uma válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares.59 Por isso, também nestas Igrejas está presente e atua a Igreja de Cristo, embora lhes falte a plena comunhão com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina católica do Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objetivamente tem e exerce sobre toda a Igreja”. (DECLARAÇÃO "DOMINUS IESUS". SOBRE A UNICIDADE E A UNIVERSALIDADE SALVÍFICA DE JESUS CRISTO E DA IGREJA, 17)
Boff relativiza a igreja, transformando-a em uma realidade meramente temporal e humana. Separando-se da igreja deixada por Jesus confiada aos apóstolos (Cf. Mt 16) A tese é um devaneio fruto do ópio marxista consumido pelo professor e colocado acima da fé. Fiz este preâmbulo para compreendermos a visão eclesiológica vigente nos corredores e sacristias de nossas igrejas e universidades. A eclesiologia compreendida a partir do Papa Francisco é ressignificada. Não se nega a possibilidade de o “poder/hierarquia” ser um instrumento de opressão, mas não é a teologia ou princípio teológico da Igreja Católica, a partir de São Paulo, que compreende a necessidade da hierarquia como instrumento carismático. O autoritarismo, a patologia pelo poder e o barganhismo de cargos e privilégios na igreja não são oriundos de sua identidade, mas das condições e fraquezas humanas. O poder, quando não usado de modo coerente com o evangelho, pode gerar instrumentalização, egoísmo e cooperativismo servil. Então, o que é o poder? Acredito ser a capacidade de intervir de modo objetivo e subjetivo no transcurso da história das pessoas, da sociedade e do indivíduo. 
O papa Francisco historicamente bebe da teologia latino-americana da revolução do proletariado, da utópica sociedade perfeita sem classes, mas como eminente teólogo, compreende a dinâmica carismática intra-eclesial.
Válido lembrar: não cabe à hierarquia dar a aparência de colocar-se acima da Palavra de Deus e do Espírito Santo. O Espírito é o Espírito de Cristo (Jo 16, 14); por isso, prolonga e atualiza o que é de Cristo na história. Mas não só. Ele é também o Espírito do Pai (Jo 15, 26); por isso, mergulha no mistério insondável do Sem-Origem e do Não-Manipulável. As tentativas de manipular ou reescrever a identidade da igreja serão sempre fracassadas, pois o Espírito Santo imprime um selo indelével da verdade da natureza da igreja. “Esta é a única Igreja de Cristo, que confessamos no Credo ser una, santa, católica e apostólica (12); depois da ressurreição, o nosso Salvador entregou-a a Pedro para que a apascentasse (Jo. 21,17), confiando também a ele e aos demais Apóstolos a sua difusão e governo (cfr. Mt. 28,18 ss.), e erigindo-a para sempre em «coluna e fundamento da verdade» (I Tim. 3,5). Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como sociedade, subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em união com ele (13), embora, fora da sua comunidade, se encontrem muitos elementos de santificação e de verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica.” (CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA.LUMEN GENTIUM. SOBRE A IGREJA, 8) 
Posso não concordar com posições teológicas, visões de mundo, compreensões da práxis pastoral eclesial do papa Francisco e dos bispos, entretanto não somos inimigos, somente pensamos diferentes em alguns pontos, porém, sempre o fundamental é o olhar fixo em Jesus e fazer a opção de uma igreja que está a serviço dos homens para salvá-los. “A partir da intimidade de cada coração, o amor cria vínculos e amplia a existência, quando arranca a pessoa de si mesma para o outro.[65] Feitos para o amor, existe em cada um de nós «uma espécie de lei de "êxtase": sair de si para encontrar nos outros um acrescentamento de ser», Por isso, «o homem deve conseguir um dia partir de si, deixar de procurar apoio em si, deixar-se levar” (CARTA ENCÍCLICA
FRATELLI TUTTI. DO SANTO PADRE FRANCISCO. SOBRE A FRATERNIDADE E A AMIZADE SOCIAL, nº 88)
“Até hoje, os grandes problemas da humanidade nunca foram resolvidos por decretos coletivos, mas somente pela renovação da atitude do indivíduo. Em tempo algum, meditar sobre si mesmo foi uma necessidade tão imperiosa e a única coisa certa, como nesta catastrófica época contemporânea. Mas quem se questiona a si mesmo depara invariavelmente com as barreiras do inconsciente, que contém justamente aquilo que mais importa conhecer.” (Jung, Carl Gustav, 1875-1961).
Concluo este brevíssimo artigo, exortando que a correção fraterna deve ser sempre vinculada à verdade e à caridade, pois, “Mas vós não vos façais chamar rabi, porque um só é o vosso preceptor, e vós sois todos irmãos.”(Mt 23,8) 





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