Alerta aos presbíteros




Carta aos Padres*

 

Olá, irmãos padres!

 

Escrevo-lhes esta pequena carta como irmão, preocupado com a vida de cada um de vocês e sabendo o quanto são importantes, independentemente das fraquezas, vulnerabilidades, dificuldades e processos psicológicos pessoais.

Primeiramente, não se esqueçam do quanto são amados por Deus. Na correria da vida, nas tristezas, perseguições, calúnias, trabalhos, alegrias, missas, confissões, tendemos a esquecer o quanto somos amados por Ele. A prova desse amor é a nossa linda vocação.

É crucial não perdermos o encantamento pelo sacerdócio. Nada e ninguém pode ser mais importante que ele. Não somos funcionários da Igreja, nem possuímos vínculo empregatício com ela. Somos servidores e ministros de Cristo na Igreja.

Cuidem de si para cuidar dos outros. Confesso que tenho dificuldade em desenvolver laços e estabelecer amizades. Luto para superar o medo e a insegurança de ser traído, machucado ou incompreendido. Desejo abraçar, mas tenho dificuldade em manifestar afeto, vivendo muitas vezes como um eremita. É muito importante ter amigos.

Destacou o Papa Francisco sobre o sacerdócio: “escolher deliberadamente procurar ser santo com os outros e não em solidão". Para explicar suas características "que são as do amor", pede ajuda ao "mapa" do capítulo 13 da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios. Fraternidade, portanto, significa paciência, "a capacidade de sentir-se responsável pelos outros, de carregar seus fardos", longe da inveja, a incapacidade de alegrar-se "quando vejo o bem na vida dos outros", que " tanto atormenta os nossos ambientes e que é uma fadiga na pedagogia do amor, e não simplesmente um pecado a ser confessado". Na fraternidade, "não precisamos nos vangloriar", nem faltar "respeito para com aqueles que nos circundam". O amor fraterno, lembra o Papa Francisco, "não busca seu próprio interesse, não deixa espaço para a raiva, para o ressentimento", não se lembra "para sempre do mal recebido" a ponto de talvez "gozar da injustiça quando se trata da pessoa que me fez sofrer", e "considera um pecado grave atacar a verdade e a dignidade dos irmãos através de calúnias, maledicências, fofocas".

Somos homens do sagrado. Estamos buscando celebrar dignamente o mistério da Eucaristia? Temos buscado a confissão e direção espiritual constante diante dos nossos dilemas? A vida passa rápido, e às vezes construímos muros entre nós sem motivo. Se em algum momento fui ríspido ou grosseiro, peço desculpas. Meu arcebispo, Dom Beto, recentemente disse que sou muito preciso em escrever e, às vezes, tendo a ser assim na vida também. Estou buscando ser mais suave, mas leve, entretanto, somente tempo para quebrar a crosta protetora que construímos por medo.

Um padre amigo, enquanto confessava meus pecados com os olhos cheios de lágrimas, disse-me: "Lindo, Pe. Jerônimo, apesar de todas as experiências negativas vividas, perseguições, calúnias, fofocas, o senhor olha sua vida a partir do amor com que foi amado." Precisamos começar a visitar os padres idosos, levar afeto, carinho e presença que afaga na velhice. Sejamos mais leves e humanos uns com os outros. Não julguemos os erros dos outros, sejamos irmãos. Estamos falando de sinodalidade, ou seja, ‘caminhar juntos’, mas como viver a sinodalidade se temos dificuldades em acolher, escutar e aprender com quem pensa diferente? Com urgência, precisamos mudar a mentalidade autoritária em âmbitos de poder e serviço, deixando de absolutizar o nosso ponto de vista. O outro pensa diferente, mas não é meu inimigo. Quando estiverem tristes, sofrendo, sentirem que as forças estão se esvaindo, procure um outro sacerdote amigo e incline tua cabeça no peito, sinta-se amado por Jesus. Busque fazer atividade física é essencial, uma boa alimentação e está sempre com família é de vital importância. Viagem juntos com outros padres e programe suas férias.

Aos mais jovens sejam sempre afáveis, ternos, convivam na experiência de serem irmãos, construam laços de afeto e proporcione para o irmão a presença amiga, que acolhe e ama.

Aos mais idosos meu carinho, e gratidão pele maravilhosa experiências de suas vidas que nos ensinam e nos forma para viver alegremente o sacerdócio.

Que nossas vidas sejam testemunho vivo de amor a Cristo e serviço à salvação dos homens.

Por fim, amados, estejam felizes e realizados no sacerdócio. Faça exalar o fragor do amor através do exercício ministerial.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

“A Verdade por Trás da ‘Missa de Sempre’: Tradição ou Ideologia?”

Venerável Pe. Celso Alípio-70 anos de vida sacerdotal

O ESCÂNDALO DA VIDA- PE. PETRÚCIO DARIO