**Qual é a Pior Solidão?**
Recentemente, meu amigo e psicólogo Djairo me perguntou: "Qual é a pior solidão?" Respondi de imediato: "Estar sozinho, pois a solidão muitas vezes impede de enxergar além dos nossos próprios horizontes." Contudo, ele me corrigiu: "Não, padre. A pior solidão é sentir-se abandonado."
Essa resposta me fez refletir sobre as inúmeras vezes em que, na convivência comunitária, tratamos os outros de maneira fria ou indiferente, muitas vezes sem perceber. Lembro que nosso arcebispo, Dom Carlos Alberto (Dom Beto), abordou esse tema em uma de suas reflexões no retiro do clero, falando sobre o desprezo. É uma questão que precisa ser tratada com seriedade.
Charles Dickens, em sua sabedoria, disse: "Se você não desprezar ninguém, terá escapado ao perigo de muitas fraquezas. O desprezo é extremamente prejudicial, tanto para quem o recebe quanto para quem o oferece. Ele é uma forma de negar a dignidade do outro, uma ausência de compaixão e empatia que gera dor, semeando angústia e medo. Esse sentimento pode desestruturar laços afetivos, fazendo com que nossos filhos cresçam inseguros e com uma autoimagem fragilizada.”
Honoré de Balzac ressaltou: "As feridas mais profundas são aquelas infligidas pela língua, pelos olhares de desprezo e pela zombaria." E, como aponta Santos (2015, p. 220): "O abandono é a ausência da presença."
É bom saber que somos amados, que somos cuidados. Ser amado é colher o fruto do amor que semeamos no coração das pessoas. Muitas vezes, construímos ideias e sentimentos que não refletem a verdade sobre quem somos. Em junho, fui diagnosticado com TDAH e impulsividade, e desde então venho trabalhando para reconstruir meus pensamentos e encontrar maneiras de compreender melhor a realidade ao meu redor, além de gerenciar equilibradamente meus pensamentos, palavras, sentimentos e ações. A verdade sobre nós mesmos é conhecida em sua plenitude apenas por Deus. Por isso, convido você a ser uma presença empática, afetuosa e acolhedora, uma luz capaz de iluminar a vida daqueles que estão à sua volta. Aos poucos, vamos amadurecendo, evoluindo e aprendendo a semear o amor na vida das pessoas. "À medida que vamos aprendendo a falar do coração, estaremos a mudar os hábitos de uma vida." (Marshall B. Rosenberg).

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