A alegria de alguns pela enfermidade do Papa Francisco- A tristeza de um católico diante da falta de caridade


Tristeza. Eis a palavra que resume o sentimento diante daqueles que, dizendo-se católicos, regozijam-se com a enfermidade do Papa Francisco. Tal atitude não condiz com a verdadeira fé católica; antes, é um ultraje à comunhão eclesial e à caridade cristã. Como ensina o próprio Santo Padre: “A fé cristã não é apenas um conjunto de doutrinas a serem acreditadas, mas uma luz para iluminar nossa existência, um caminho para ser percorrido” (Papa Francisco, Lumen Fidei, 2013).

A compaixão e a caridade são princípios basilares da fé cristã. Diante do sofrimento do Papa, tenho chorado e rezado com a sinceridade de quem vê um pai ou uma mãe enfermos. Não tive a graça de conhecê-lo pessoalmente, mas amo-o por sua missão de sucessor de Pedro, aquele a quem o próprio Cristo confiou as chaves do Reino (cf. Mt 16,18-19).

Dentre os muitos aspectos admiráveis no Santo Padre, destaca-se sua coerência de vida. Vivemos tempos marcados por extremismos dentro da Igreja, e isso é, sem dúvida, motivo de preocupação. Como bem alertou o Papa Bento XVI: “A Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração” (Homilia na Missa de abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 2007). O verdadeiro testemunho católico não pode se alicerçar no ódio ou na divisão, mas na fidelidade ao Evangelho e na unidade em Cristo.

As posições ideológicas de alguns pastores da Igreja, fruto de suas formações e experiências, não podem se sobrepor ao depositum fidei, que é imutável. A Igreja e seus ministros têm o dever sagrado de serem fiéis a Cristo e ao Magistério. Como recorda o Concílio Vaticano II: “O único Magistério autêntico da Igreja é aquele que, em união com o Sucessor de Pedro, transmite fielmente a doutrina dos Apóstolos” (Dei Verbum, 10).

Que possamos, como Igreja, renovar nosso compromisso com a caridade e a unidade, reconhecendo no Papa o doce Cristo na terra, como dizia Santa Catarina de Sena, e rezando por ele, sobretudo em suas enfermidades.

 


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