MONSENHOR DELFINO, ARAUTO DO EVANGELHO

 




MONSENHOR DELFINO, ARAUTO DO EVANGELHO

Hoje tivemos a alegria serena e profunda de receber entre nós o monsenhor Delfino Barbosa. Sua presença é marcada por aquela simplicidade própria de quem ama a Cristo. A presença dos padres idosos é sempre alegria. Escutá-los é uma maravilha. E é mesmo. Há algo de solene e, ao mesmo tempo, familiar quando um ancião da fé atravessa a porta e ilumina o ambiente com a sua história.

A vida, essa grande costura de encontros, é marcada por pessoas que deixam em nós, com o testemunho de suas vidas, a presença silenciosa e forte de Deus. Monsenhor Delfino, com seus 90 anos de idade e 62 anos de ministério sacerdotal, é um desses sinais que permanecem. Uma existência despojada, dedicada e pobre - como aconselhava São João da Cruz: “Para chegar ao tudo, é preciso renunciar ao tudo.”

Seu amor à vocação é evidente. A lucidez dos seus conselhos e a arte da escuta — tão rara hoje - são marcas de quem soube moldar o coração no ritmo do Evangelho. Pastor fiel do Rebanho do Senhor, ele repete com simplicidade frases que carregam uma vida inteira: “Estou à mercê da Igreja.” “Minha maior preocupação é anunciar o Evangelho.” Não são palavras bonitas; são verdades vividas. Como diz o Papa Francisco: “A evangelização acontece de pessoa para pessoa.” Monsenhor Delfino é essa pessoa.

São testemunhos assim que animam a minha caminhada como jovem padre. Ser sacerdote é uma missão belíssima e nobre, mas, como ele mesmo insiste: “O mais importante é ser batizado, ser discípulo de Cristo.” No fundo, tudo começa aí, como Jesus nos recorda: “Permanecei em mim” (Jo 15,4).

Não é simples viver pobre, renunciar às glórias e riquezas do mundo. Apenas alguém que se apaixonou verdadeiramente pelo Senhor consegue manter essa fidelidade descalça. Sua memória guarda histórias da Arquidiocese de Maceió e da Igreja no mundo inteiro; suas repetições - tão típicas da velhice - revelam o essencial: “Deus é providente, e não nos falta nada.”

Com ele aprendemos que não precisamos de muita coisa para viver. O essencial, muitas vezes, é o básico. E o básico, quando vivido com amor, torna-se abundância. Sinto-me profundamente tocado por sua abnegação e pelo desejo sincero de continuar anunciando o Evangelho até o último dia. Ofertar sem esperar nada em troca — como ensina São Paulo: “Há mais alegria em dar do que em receber” (At 20,35).

Ele mesmo diz: “Não preciso de dinheiro, pois tenho tudo.” E é verdade: possui a maior riqueza que um cristão pode desejar - Cristo e o Seu amor.

Que o Senhor Jesus me conceda a graça de viver sempre para anunciar o Evangelho. Que meu coração não acumule o que não é necessário, mas deixe espaço para que Ele o preencha com Seu amor.

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