O Escândalo da Cruz que Gera Vida: Dom Dulcênio Fontes de Matos, entre Dor e Esperança

 

Neste tempo do Advento, no chamado Domingo Gaudete, Dom Dulcênio Fontes de Matos celebra 40 anos de sacerdócio. Conheço-o há mais de vinte anos. Morei com ele, convivi de perto e muito aprendi ao longo desse caminho. É um homem de visão eclesial, pastoral e administrativa extremamente cuidadosa. Não aprecia escândalos, mas, quando necessário, faz-se voz profética, sem jamais se acovardar diante dos grandes e poderosos deste mundo.

Possui um amor profundo e inexplicável pelas vocações, um cuidado afetuoso com os seminaristas e uma atenção constante à vida dos padres. Muitas vezes, no silêncio do palácio episcopal, vi-o chorar diante de decisões difíceis que precisavam ser tomadas em relação à vida de alguns sacerdotes. Sempre demonstrou grande zelo pela formação acadêmica contínua dos presbíteros, enviando muitos para estudar nos grandes centros universitários.

Além de exímio administrador, é um homem prudente, sensato e que evita confusões desnecessárias. Sei que, quando precisa ser mais firme com algum sacerdote, isso lhe causa profunda dor no coração. Muitas vezes não compreendemos no momento, mas, com o passar do tempo, aprendemos a agradecer.

Recordo-me do dia da minha ordenação: havia tanto afeto e amor em cada gesto sacramental. Esse mesmo cuidado permanece nas ordenações diaconais e presbiterais. É um homem intenso, extremamente oblativo, que realiza tudo com grande dedicação. Sergipano “dos olhos vermelhos”, e, ao mesmo tempo, profundamente generoso.

Nos últimos anos da minha vida presbiteral, tenho vivido situações complexas e, mesmo à distância, nele encontrei acolhimento e orientações firmes e assertivas. Entre nós existe uma ligação filial profundamente bondosa. Sei que, quando precisar, posso contar com ele.

Na homilia de hoje, na Catedral Diocesana de Campina Grande, o prelado sergipano, com os olhos marejados, partilhou:

“Meu início vocacional foi marcado por mais cruzes do que alegrias. Quando me ordenei, prometi três coisas: 1) ser fiel a Deus; 2) atender as confissões com paciência; 3) ter um olhar especial para os jovens. Porque foi justamente quando mais precisei — inclusive diante das dificuldades vividas com meu próprio pároco — que encontrei apoio no grupo de jovens. Se eu tivesse de começar tudo de novo, começaria hoje, porque os momentos mais difíceis que vivi me fizeram crescer. Sempre estive nas mãos de Nossa Senhora. É Ela quem me apresenta ao seu Filho. O maior presente que Deus me deu nesta caminhada foi estar aqui em Campina Grande com vocês. Sinto o amor de todos. Tenho um amor muito grande pelos seminaristas e pelos padres. Minha maior alegria é oferecer aos meus padres idosos um lugar digno para viver. É dever da Igreja cuidar dos padres idosos e doentes.”

E a vida, na caminhada sacerdotal e episcopal, ofereceu-lhe muitas alegrias, pois plantastes abundante amor no coração das pessoas por onde passastes. Hoje, Vossa Excelência pode dizer com o salmista:

“Ó justos, alegrai-vos e regozijai-vos no Senhor. Exultai, todos vós, retos de coração.” (Sl 31,11)

Hoje fiz questão de estar com ele, abraçá-lo e agradecer pelo dom do sacerdócio que me foi conferido por suas “santas e veneráveis mãos”. Sua vida é um dom precioso da bondade e da providência divina. Renovo, neste dia, meu amor filial, meu afeto e a certeza de que ele estará sempre presente em minhas mais diletas orações.

 

No dia 12 de dezembro, por ocasião das ordenações diaconais na Catedral Diocesana, destacou o bispo:

“Cada um de nós deve ser um indicador claro, que aponte, com o exemplo e a palavra, o caminho certo que, por meio de Maria, termina na pessoa de Cristo.”

Vossa vida, caríssimo Dom Dulcênio, tem sido esse indicador de bondade, amor, misericórdia e cuidado com todos os presbíteros, diáconos, seminaristas e com todo o povo de Deus.

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