HOMILIA XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B


                 Pe. Jerônimo Pereira Bezerra

In Christo per Mariam

 Êx 16,2-4.12-15 /Responsório (Sl 77)/(Ef 4,17.20-24)/Jo 6,24-35

 

  1. A passagem das codornizes e Maná, independente das possibilidades naturais, torna-se, diante do que o povo estava vivendo, a expressão da intervenção amorosa de Deus.
  2.  O grande pecado do povo: MURMURAÇÃO. Diante da precariedade, o povo incrédulo desafia Deus para que comece a manifestar-se - Javé está ou não no meio de nós? (Ex 17,7)
  3. Deus é bom sempre. Deus não depende da nossa bondade para favorecer-nos com sua graça e providência. Ser bom é ontológico (natureza) de Javé. 
  4. A preocupação, como no domingo passado, centra-se em imanentismo, ou seja, as coisas se limitam ao material. 
  5. Deus alimenta seu povo. Certamente é um modo peculiar de Deus manifestar sua glória. O maná nos lembra, segundo o vétero testamento, a Palavra de Deus, alimento que nos conduz para a vida eterna. 
  6. No evangelho, voltamos ao discurso do pão da vida. Cristo agora se apresenta como o Pão que sacia nossa fome da eternidade. 
  7. No evangelho joanino, a expressão Pão da vida está profundamente ligada à expressão árvore da vida, símbolo da imortalidade da qual nossos primeiros pais foram privados por causa do pecado. 
  8. Jesus repreendeu seus interlocutores. Qual a motivação para buscá-lo? Eles buscam o Senhor, por causa do alimento em si. Não compreendem que Cristo é o Pão da vida.
  9. O tema da fé subjaz no evangelho de hoje. Sem fé não há como crer em Cristo.
  10. É preciso  reconhecer que Cristo é o alimento essencial da vida. Viver sem Jesus torna a vida sem gosto e fraca. 
  11.  Comenta Santo Agostinho: “Buscais-me por motivos da carne, não do espírito. Quantos há que procuram Jesus, guiados unicamente pelos seus interesses materiais! Só se pode procurar Jesus por Jesus”.
  12. Como aquela multidão, irmãos e irmãs, ainda somos cegos, fechados em nós mesmos. Não percebemos os sinais de Deus em nossa vida.
  13. Eles não compreendem. Acham que dependem de realidades humanas ou exteriores, mas crer em Jesus não é simplesmente algo espiritual ou intelectual, crer é um ato da vida. Adesão sincera à sua pessoa e missão.  
  14. Primeiro: aquele maná dado por Moisés não é o pão que vem do céu. É pão terreno mesmo, dado por Deus; pão que mata a fome do corpo, mas não enche de paz o coração. (Dom Henrique Soares da Costa)
  15. E aqui vem a segunda revelação, surpreendente, consoladora: agora o Pai está dando o verdadeiro maná, o verdadeiro Pão do céu, que dá a vida divina ao mundo. (Dom Henrique Soares da Costa)
  16. Jesus faz, então, a terceira e desconcertante revelação: “Eu sou o Pão da vida!” Pronto: o pão verdadeiro é uma Pessoa, é ele mesmo! Os pães que ele multiplicara eram imagem dele mesmo, que se nos dá, que nos alimenta, que nos enche de vida: “Eu sou o Pão da vida! O Pão que desce do céu e dá a vida ao mundo! Quem vem a mim nunca mais terá fome de vida e de sentido de existência; quem crê em mim nunca mais terá sede no seu coração!” (Dom Henrique Soares da Costa)
  17.  A Igreja não vive sem Eucaristia. O Pão do céu, que o Pai, na força do Espírito Santo, nos proveu para saciar nosso coração da fome da eternidade. 
  18. Na segunda leitura, somos convidados a romper com o passado e aderir ao novo: Cristo. Não podemos desconfiar da providência de Deus. Sem a confiança total em Deus, “nossa inteligência  leva-nos para o nada.” (Ef 4, 17)

Senhor, que ao atravessarmos os desertos da vida ou as noites escuras, confiemos em Ti e no teu amor. Ao comungarmos-vos na Santíssima Eucaristia, possamos ser homens novos. Saciados do Pão da vida, caminhamos felizes para a vida eterna. 

 

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